segunda-feira, dezembro 18, 2017

Comentarios Eleison: A Importância da Cultura – I

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXLIV (544) (16 de dezembro de 2017)


A IMPORTÂNCIA DA CULTURA  –  I


A cultura está morta quando Deus está “morto”.
A única esperança dela reside em Seu “renascimento”.

“Quando eu ouço a palavra ‘cultura’, vou buscar minha arma”, é uma famosa citação (muitas vezes atribuída a Reichsmarchall Göring, mas que vem na verdade de uma peça apresentada em Berlim no ano de 1933) que pode ser interpretada no sentido de que a cultura não é a fonte última dos valores que frequentemente se lhe atribuem. A palavra serve muitas vezes como uma folha de figueira que cubra a profunda apostasia do Ocidente com uma hipocrisia vergonhosa, mas de longa data, que pode tentar instintivamente alguns portadores de armas a dar-lhe fim violentamente. Um americano de nosso próprio tempo que percebe que a cultura depende da religião ou de sua ausência é Ron Austin, quem escreveu na edição de dezembro da Revista First Things um artigo sobre a cultura pop, argumentando que esta não é pop nem cultura.

Austin é um escritor e produtor veterano de Hollywood que passou quase meio século produzindo cultura pop, principalmente para a televisão. Ele é membro da Academia Americana de Artes e Ciências Cinematográficas, mas também membro da Escola Dominicana de Filosofia e Teologia em Berkeley, Califórnia, o que lhe dá pelo menos uma ideia da verdadeira dimensão da “cultura”. Por exemplo, no início de seu artigo, ele escreve: A chave para a compreensão da modernidade e de seu fracasso reside nos muitos esforços em vão para encontrar substitutos para a fé religiosa... Foi a mídia de massa que promoveu uma “cultura pop” que era a mais influente e poderosa substituta para uma visão de mundo significativa... A cultura pop, diz Austin, é um ídolo... como tal é um embuste... não é nem pop nem cultura.

Austin define o “pop” como sendo pertencente antes ao povo do que a uma elite qualquer. Admite que a cultura pop tem considerável apelo popular atualmente, mas diz que é de natureza sintética e industrial, que não deriva de um modo de vida natural ou orgânico, e por isso não é realmente popular. A “cultura” é difícil de definir, mas ela significa um modo de vida com valores compartilhados que tem os meios para expressá-la. A cultura, neste sentido, só pode crescer organicamente como uma árvore, com a velocidade natural que não pode ser forçada, e requer uma memória compartilhada com um sentido do passado, uma continuidade de significado, metas e padrões. Mas a “cultura pop” apaga o passado. Portanto, não é uma cultura verdadeira. A partir desta perspectiva, Austin recorda então as décadas de sua própria vida.

Nas de 50 e 60, ele lembra uma crescente alienação do passado pela qual a mídia de massa passou a desempenhar um papel crucial. Na década de 70 desabrochou uma contracultura de fragmentação e narcisismo, com mais entretenimento do que nunca, e com isso um crescente desapego da realidade. O meio em si estava tornando-se a mensagem, e a moralidade baseava-se na emoção subjetiva, que a mídia embalava como um produto com fins lucrativos. O entretenimento substituiu o pensamento e a análise. Na década de 80, a tentativa de restaurar valores passados falhou nos EUA, na Europa e na Rússia. Na década de 90, algumas falsas esperanças tiveram fim, mas a massa de consumidores estava mais fragmentada do que nunca. No entanto, na década de 2010 a Fé Católica dá a Austin alguma esperança. A verdadeira cultura depende de que os seres humanos sejam humanos, diz, e os humanos têm para si verdadeiros modelos: Nosso Senhor e Nossa Senhora. A verdadeira cultura será replantada, e a Luz retornará.

Austin está na pista do verdadeiro problema, mesmo que seu tratamento do problema e de sua solução seja relativamente raso, pois todo o ambiente atual, ou cultura, é perigosíssimo para as almas e sua salvação. Tornou-se totalmente normal crer ou não crer em Deus, ou se alguém crê n’Ele, não levá-Lo a sério. O passado tem pouco a dizer-nos (exceto com relação aos “seis milhões”). A imoralidade não tem importância. Não há algo como o respeito à ordem e à natureza. A tecnologia salva. A liberdade é tudo. E esta doença é altamente contagiosa, porque é muito “libertadora” para nós. Que o Céu nos ajude!


Kyrie eleison.

P.S.: Como um recurso menor para a cultura de elite do passado, no sentido verdadeiro da palavra, realizar-se-á em Broadstairs, da sexta-feira 23 de fevereiro ao domingo dia 25 do próximo ano, uma sessão de Mozart paralela à “Explosão de Beethoven” de dois anos atrás. Fornecer-se-ão os detalhes em breve.


*Traduzido por Cristoph Klug.

terça-feira, dezembro 12, 2017

Como você está gastando seu tempo digital?

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Do livro "Limpe Sua Mente: Como Parar de se Preocupar, Aliviar a Ansiedade e os Pensamentos Negativos" de S.J. Scott, Barrie Davenport:

Como você está gastando seu tempo digital? Dê uma olhada realista em como você gasta seu tempo com seus dispositivos. Claro que existem atividades on-line necessárias para a sua vida pessoal e profissional. Mas, também, existem as horas que você passa conectado, apenas navegando na internet, jogando e verificando as mídias sociais.

Passe alguns minutos revendo seu dia e acrescente o tempo não essencial em que você ficou conectado. Melhor ainda, documente suas atividades digitais ao longo do dia. Você ficará surpreso com o tempo que dispensa às experiências virtuais. 

Toda esta absorção digital cria agitação e tem uma qualidade aditiva que o afasta das buscas mais significativas que o energizam ao invés de esgotá-lo. Onde e como você pode começar a cortar isso? Comece com uma hora por dia onde você fique livre de qualquer tempo digital. Desligue o computador e coloque o celular em uma gaveta. O que você pode fazer em vez de se envolver em distrações digitais? Sugerimos que você:

•Leia um livro
•Faça uma longa caminhada
•Exercite-se
•Converse com um amigo
•Passe tempo de qualidade com seu cônjuge e filhos
•Faça algo criativo, como escrever ou desenhar
•Aprenda uma nova habilidade
•Medite
•Ouça música
•Saia de bicicleta
•Termine um projeto

Faça algo que seja real, aqui e agora e positivo, para que você evite tanto o esgotamento da imersão digital quanto os sentimentos secundários de culpa e ansiedade que muitas vezes acompanham o excesso de tempo conectado.



domingo, dezembro 10, 2017

Comentarios Eleison: Milagres no NOM?

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXLIII (543) (9 de dezembro de 2017)


MILAGRES NO NOM?


Os pastores humanos podem abandonar as ovelhas,
Mas Deus não o faz – a menos que elas mesmas queiram dormir.

Quando estes "Comentários" afirmaram no ano passado que em Sokulka, na Polônia, houve em 2008 um milagre eucarístico numa hóstia consagrada em uma Missa Nova (NOM), alguns católicos no mundo de língua inglesa negaram que tal coisa fosse possível. Quando se fez mesma afirmação recentemente em Paris (https://youtu.be/IgQnQhxmhH4), foi a vez de alguns tradicionalistas franceses questionarem a evidência científica aparente do milagre fornecida de forma independente naquele momento por dois laboratórios poloneses, os quais afirmaram que a amostra da hóstia em questão que lhes foi entregue veio do músculo do coração de um ser humano padecente de agudo sofrimento.

Em face de tais evidências, são possíveis duas linhas opostas de argumento. Tanto se pode argumentar sobre o veneno modernista do NOM que há impossibilidade intrínseca de Deus operar tal "milagre" no âmbito do NOM, como se pode argumentar desde a seriedade da evidência pela necessidade da possibilidade de a Nova Missa, as novas ordenações sacerdotais e as novas consagrações episcopais serem válidas (já que o Padre e o Bispo envolvidos foram ordenado e consagrado em 2005 e 1980, respectivamente). Alguns valentes tradicionalistas disputam de modo veemente as três possibilidades dentro da Neoigreja modernista.

O que é certo, pelo menos dentro da Igreja Católica, é que tais questões devem ser decididas pela doutrina e não pela emoção. A razão deve prevalecer – um exemplo: pilotar por instinto pode ser fatal para os aviadores. O que a doutrina da Igreja diz sobre a validade de um sacramento é que esta requer quatro coisas: um Ministro válido, Forma, Matéria e Intenção sacramental. O NOM pode excluir um destes requisitos ou todos eles, mas não exclui automaticamente nenhum deles. Onde todos os quatro estão presentes, a Nova Missa é válida. É por isso que Dom Lefebvre, que conhecia sua teologia, nunca afirmou que o NOM era automaticamente inválido. É por isso que o NOM celebrado em Sokulka não foi necessariamente inválido. É por isso que parece mais razoável argumentar desde a evidência do milagre do que desde a impossibilidade do "milagre" pela falsidade da evidência. Caso contrário, é necessária uma razão precisa para questionar o testemunho preciso dos patologistas.

A grande objeção permanece: como o Deus Todo Poderoso pode fazer milagres no âmbito do NOM, claramente projetado por seus criadores para envenenar gradualmente a fé dos católicos e assim destruir a Igreja Católica? A resposta deve ser que Deus não está em princípio autenticando o NOM, mas mantendo sua possível validez para não abandonar tantas ovelhas católicas que ainda assistem a ele com relativa ignorância e inocência em relação ao veneno; e, portanto, Ele está basicamente alertando as ovelhas e os pastores, para que se lembrem de que Ele mesmo está presente sob as aparências do pão e do vinho.

Quando se tem em mente a doutrina católica pela qual o NOM pode ser válido; quando se traz à memória os dizeres de São Paulo dizer segundo os quais qualquer um que participe indignamente da Sagrada Eucaristia é "réu do Corpo e do Sangue do Senhor" (I Cor. XI, 27-39); e quando se vê quão generalizada na Neoigreja é a falta de respeito pela Presença Real, então, vemos imediatamente o quão necessária para a salvação de muitas almas pode ser uma advertência como o milagre em Sokulka. O pároco mesmo dá testemunho de como aumentou o nível de fé e da prática católica em toda o entorno daquela região.

Mas o objetor insiste: como poderia Deus permitir que um tal rito envenenado da Missa seja válido?
Resposta: Ele não tira o livre arbítrio dos homens, mas permite-nos em larga escala fazermos o que queremos. Neste caso, os neomodernistas queriam (e ainda querem) um Rito da Missa que seja envenenado o suficiente para matar a verdadeira Igreja em longo prazo, mas ainda católico o suficiente para enganar, no curto prazo, católicos ignorantes e inocentes que ainda confiam no que seus pastores dizem, como, por exemplo, que o NOM é o "rito Ordinário” da Igreja. O NOM nunca teria obtido aceitação na Igreja Universal se tivesse sido óbvio desde o início que era automaticamente inválido.
                                                                                                                                       
Kyrie eleison.


terça-feira, dezembro 05, 2017

Os benefícios do perdão

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A Medicina e a Psicologia também mostram os benefícios do perdão. O texto abaixo foi extraído do livro de Amy Morin: 13 coisas que as pessoas mentalmente fortes não fazem. Editado pela Sextante, em 2015.

Quando você guarda rancor de alguém, a raiva e o ressentimento não surtem qualquer efeito sobre a vida do outro. Na verdade, ao cultivar esses sentimentos, você dá àquela pessoa ainda mais poder para interferir em sua qualidade de vida.

Escolher perdoar lhe permite tomar seu poder de volta, não apenas pelo bem de sua saúde psicológica, mas também por sua saúde física. Algum as pesquisas constataram os benefícios do perdão para a saúde:

• Perdoar reduz o estresse. No decorrer dos anos, muitos estudos mostraram que guardar rancor mantém  o corpo em  estado de estresse. Quando você pratica o perdão, sua pressão sanguínea e seus batimentos cardíacos diminuem.

• Escolher perdoar aumenta sua tolerância à dor. Em 2005, num estudo com pacientes que apresentavam dor crônica na coluna lombar, a raiva aumentou o desgaste psicológico e diminuiu a tolerância à dor. A disposição a perdoar foi associada a um aumento da resistência à dor.

• O perdão incondicional pode ajudar você a viver mais tempo. Um  estudo de 2012 publicado no Journal of Behavioral Medicine descobriu que quando as pessoas estavam  dispostas a perdoar apenas sob certas condições – se a outra pessoa se desculpasse ou prometesse nunca mais repetir o mesmo comportamento, por exemplo –, seu risco de morrer cedo na verdade aumentava. Você não tem  controle sobre o modo com o alguém se com porta. Esperar que um a pessoa lhe peça desculpa para poder perdoá-la dá a ela poder não apenas sobre sua vida, mas talvez até mesmo sobre sua morte.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Comentarios Eleison: Liberalismo = Religião

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 Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXLII (542) (2 de dezembro de 2017)

  
Liberalismo = Religião


"Deus ou Mamon – faça a sua escolha", Nosso Senhor alertou.
O Vaticano agora está doente, pois pelo segundo optou.


O liberalismo não é somente um pecado grave que vai de encontro à honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, o liberalismo é também uma religião. Estamos morrendo de liberalismo e de suas consequências. Por dois séculos ele se espalhou por toda parte, pelas nossas escolas, pelas nossas sociedades. É um veneno que destrói os mandamentos de Deus e a tudo o que constitui a beleza e a grandeza de uma civilização cristã. Disse Leão XIII, em sua encíclica Humanum Genus, sobre os maçons: "Devemos rasgar a máscara deles e mostrar como são, para que nós os evitemos e aos seus erros". Creio que o liberalismo, que é um dos frutos da Maçonaria, também precisa ser desmascarado, até que se compreenda completamente o seu perigo.

O liberalismo tem sua deusa: a liberdade. Na época da Revolução Francesa, os liberais adoravam a deusa da Razão na Catedral de Notre Dame em Paris, isto é, a liberdade, a liberdade do homem, essa liberdade que tem a sua estátua na entrada do porto de Nova York, que eles celebraram de uma forma incrível há pouco tempo. O homem está livre, finalmente libertado de toda lei, mas principalmente da lei de Deus. A liberdade é a deusa da religião do liberalismo.

O liberalismo tem seu sacerdócio, na pessoa dos maçons, um sacerdócio secreto, organizado e extremamente eficiente. Existem milhares e milhares de maçons. A seita exclusivamente judaica B'nai B'rith sozinha, com seu acesso muito frequente aos clérigos em Roma, e que esteve presente no encontro em Assis, tem quinhentos mil membros em todo o mundo. O Grande Oriente também está espalhado.

O liberalismo tem seus dogmas: eles são a Declaração dos Direitos Humanos. Como os Papas ensinaram, esses direitos do liberalismo são instrumentos inventados pela Maçonaria para usar contra Deus, para libertar o homem de Deus. Daqui em diante, o homem é livre para pecar, desobedecer a Deus... a liberdade de imprensa... é apenas um dos tantos presumidos Direitos Humanos que foram condenados pelos Papas por um século e meio.

O liberalismo tem sua moral, que é simplesmente a imoralidade: nenhum freio para a liberdade. Durante vinte anos, os liberais conseguiram introduzir na legislação de quase todos os Estados todos os princípios que vão contra a moral católica, como o aborto, a união livre, etc. – viver em pecado é algo favorecido pelos sistemas fiscais.

O liberalismo tem sua política: nomeadamente, a democracia, a democracia dos números. São as pessoas que supostamente governam. Mas, na verdade, a "democracia" é sobre como subjugá-las melhor, como dominá-las, como despojá-las em benefício de um Estado onipotente, de um socialismo totalitário que gradualmente destrói o direito de propriedade, que faz o cidadão trabalhar durante um terço do ano para o Estado. Os cidadãos tornam-se escravos do Estado totalitário. Esta é a política do liberalismo, à qual chamam liberdade.

O liberalismo tem sua educação: a educação deve ser ateísta, laica e universal para todo o mundo. Na França, não foram os bispos que defenderam a liberdade de uma educação não governamental, mas as famílias. Se não houvesse dois milhões de pessoas que se deslocassem para Paris para derrotar a lei socialista sobre educação, haveria na França hoje apenas educação governamental, e a educação privada teria desaparecido.

O liberalismo tem sua economia, dirigida pelos grupos financeiros internacionais. Na medida em que os Estados aplicam uma moral liberal, uma economia liberal, uma educação liberal, leis liberais, seus governos são apoiados pelo Fundo Monetário Internacional, mesmo que tenham dívidas enormes. Por outro lado, os Estados que resistem ao liberalismo são financeiramente prejudicados e arruinados economicamente, sempre que possível. O próprio Vaticano foi arruinado pela Finança Internacional. Maçons infiltraram as finanças pontifícias e transferiram a fortuna do Vaticano para o Canadá, onde desapareceu. Imediatamente, os maçons e a Finança Internacional intervieram com a oferta de qualquer apoio financeiro que fosse necessário. Isso explica as pressões que são exercidas em Roma na nomeação de bispos ou cardeais, e em qualquer coisa que o Papa faça. Ele está praticamente a serviço do liberalismo maçônico. Nós temos que dizer as coisas como são.

Tudo isto foi dito por Dom Lefebvre (está aqui resumido) em Barcelona no ano de 1986. Seria necessário hoje mudar uma única palavra?


Kyrie eleison.